Três trabalhadores da limpeza urbana morreram na madrugada de 19 de agosto após a caminhonete de coleta em que seguiam para o serviço colidir com um caminhão basculante de grande porte em um cruzamento de Yeongcheon, cidade da província de Gyeongsang do Norte, na Coreia do Sul. O choque ocorreu por volta de 4h03, no entroncamento conhecido como Dodong. Além das três vítimas — dois homens na faixa dos 60 anos e um na dos 40 — o motorista do basculante, um homem de cerca de 70 anos, ficou gravemente ferido e permanece em tratamento.
Segundo as autoridades de polícia e de bombeiros que atenderam a ocorrência, o acidente envolveu um veículo de coleta de cerca de 6 toneladas e um caminhão basculante de aproximadamente 25 toneladas. A violência do impacto destruiu a parte frontal do veículo de limpeza e chegou a tombar o basculante sobre a via. As três vítimas foram levadas a hospitais da região, mas não resistiram aos ferimentos.
Os trabalhadores pertenciam a uma empresa contratada para a coleta de resíduos sólidos urbanos do município de Yeongcheon. Eles se deslocavam para iniciar o turno de limpeza nas primeiras horas do dia, rotina comum em grandes e médias cidades para reduzir interferências no trânsito e garantir a higienização dos espaços públicos antes do início das atividades matinais.
No momento do acidente, o semáforo do cruzamento não operava no ciclo completo de verde-amarelo-vermelho e funcionava em modo intermitente, configuração adotada na madrugada em vias de menor fluxo. Nesse regime, motoristas devem reduzir a velocidade e avançar com atenção redobrada, avaliando a presença e a aproximação de outros veículos. A dinâmica exata da colisão ainda está sob apuração, e não há, por ora, definição de culpa predominante.
A polícia informou ter recolhido imagens de câmeras de segurança (CFTV) da área e registros de câmeras veiculares (dashcams) para reconstituir os instantes anteriores ao choque. A análise deve considerar a velocidade de cada veículo, a ordem de entrada no cruzamento, a sinalização disponível e se houve falha de observação por parte dos condutores. Peritos também avaliam marcas na pista e a posição final dos veículos, bem como o grau de deformação das estruturas, para estimar energia e ângulos do impacto.
A combinação de veículos pesados — um basculante de 25 toneladas e um coletor de 6 toneladas — costuma ampliar o potencial destrutivo em colisões, o que ajuda a explicar a magnitude dos danos verificados no local. Em cenários assim, diferenças mínimas de tempo na entrada do cruzamento, somadas a visibilidade limitada e a possíveis pontos cegos, podem ser determinantes para o desfecho.
O caso reacende a atenção para a segurança de trabalhadores essenciais como os garis, cuja jornada frequentemente começa de madrugada, quando a visibilidade é menor e a operação de semáforos em modo intermitente exige decisões rápidas e prudentes ao volante. Embora práticas noturnas de limpeza reduzam o impacto no tráfego, elas expõem equipes e frota a condições específicas de risco que dependem do cumprimento rigoroso de protocolos de direção defensiva e da sinalização adequada em trechos críticos.
As autoridades locais acompanham a evolução clínica do motorista do caminhão basculante para colher seu depoimento assim que possível. A partir do conjunto de evidências — imagens, laudos periciais e relatos — a investigação buscará estabelecer com precisão a sequência de eventos e eventuais infrações. Até a conclusão do inquérito, permanece em aberto a avaliação sobre causas e responsabilidades.
A tragédia em Yeongcheon, ao mesmo tempo em que evidencia o impacto de choques envolvendo veículos de grande porte, reforça a importância de medidas que preservem a integridade de quem atua na manutenção da limpeza urbana. A apuração em curso deverá orientar, na esfera municipal e contratual, ajustes operacionais e de tráfego nos horários de menor movimento, com o objetivo de reduzir a probabilidade de incidentes semelhantes.



