A repetição de coletas clandestinas e em grande volume de larvas de cigarras em um parque ecológico no centro de Seul levou a Prefeitura a reforçar medidas de prevenção e fiscalização. Em Yeouido Saetgang Ecological Park, na zona ribeirinha do rio Han, foram instaladas recentemente faixas de aviso proibindo a coleta de insetos sem permissão, e as rondas no local passaram a ser mais frequentes. Embora, até o momento, neste ano não tenham sido registradas novas queixas formais, a ação preventiva responde a uma série de reclamações feitas no ano passado, quando episódios de retirada “aos baldes” de larvas voltaram à tona.
Segundo as autoridades municipais, as faixas destacam exclusivamente a proibição da coleta indevida, sem mencionar nacionalidades, grupos específicos ou hábitos culturais. A decisão foi tomada após denúncias de 2025 relatarem que alguns visitantes percorriam o parque com recipientes e sacolas, recolhendo quantidades significativas de larvas durante curtos intervalos de tempo. O município avaliou que a situação poderia se repetir no período de maior atividade das cigarras durante o verão e, por isso, antecipou-se com comunicação direta ao público e presença mais ostensiva das equipes.
Casos semelhantes não se limitaram à capital. No ano passado, em Busan, no Samnak Ecological Park, testemunhas também observaram grupos enchendo potes plásticos e sacos com larvas ao entardecer, momento em que os insetos emergem do solo e sobem às árvores após completarem o ciclo subterrâneo. Entidades ambientalistas locais chamaram atenção para o padrão concentrado de coleta nesse horário, o que potencializa o impacto sobre a população de cigarras em áreas urbanas.
Ainda que a cigarra não figure entre espécies legalmente protegidas como monumento natural ou ameaçada de extinção, a coleta no parque não é livre. A base jurídica para a restrição está no “Decreto Básico sobre a Conservação e o Uso dos Parques do Rio Han”, que prioriza a proteção do ambiente ecológico e o incremento da biodiversidade. Em caso de infração dentro das áreas administradas do parque, a Prefeitura pode aplicar multa administrativa. Para insetos, a orientação oficial prevê penalidade de até 100 mil won em situações de coleta não autorizada.
A gestão de Yeouido Saetgang Ecological Park ressalta que se trata de um espaço ecológico urbano com diferentes espécies e funções educativas. O local recebe atividades de observação da fauna e programas de contato com a natureza voltados, inclusive, a crianças. A retirada repetida e em grande escala de um único organismo, mesmo não protegido por lei específica, contraria a razão de ser do parque e pode desorganizar experiências de educação ambiental que dependem da presença regular desses seres no habitat.
A Prefeitura enfatiza que o foco é coibir o ato de coletar sem permissão, e não associar o problema a determinada nacionalidade ou prática cultural. Há registros de uso culinário de larvas de cigarra em algumas regiões da China, mas, no caso de Yeouido, não foi estabelecida relação direta entre essa tradição e os episódios de coleta; cada ocorrência precisa ser verificada individualmente.
Daqui para frente, as equipes municipais pretendem manter rondas e orientar imediatamente a interrupção quando a coleta indevida for flagrada. Em repetição de condutas ou se houver necessidade, a aplicação de multa, prevista no decreto, será considerada. A controvérsia reacende um debate mais amplo: até que ponto a coleta de insetos deve ser tolerada em parques urbanos destinados à conservação e ao uso público? A posição da administração de Seul, neste momento, é estabelecer um limite claro para práticas que ultrapassem a observação e a coleta pontual, especialmente quando configuram capturas volumosas com uso de recipientes, por entender que tais condutas comprometem o equilíbrio ecológico local e a convivência no espaço público.
O episódio ilustra um desafio recorrente das grandes cidades: equilibrar acesso da população a áreas verdes e proteção efetiva da biodiversidade em ambientes altamente pressionados. Ao reforçar avisos e fiscalização sem estigmatizar grupos, Seul busca uma resposta que combine educação ambiental, preservação e regras transparentes de uso — abordagem que também interessa a outros centros urbanos que veem nas ilhas de natureza um ativo para a qualidade de vida e a resiliência ecológica. A medida foi comunicada em 19 de agosto de 2026, como parte do pacote de prevenção para a temporada de maior incidência de cigarras.



