Mudança entra em vigor em 1º de janeiro de 2027 e altera a fórmula usada no diagnóstico energético francês
Efeito pode beneficiar parte das moradias aquecidas por eletricidade, mas não garante salto de classe para todos os imóveis
Para proprietários, a revisão pode afetar decisões sobre aluguel e obras, sem reduzir o consumo real da habitação
Na França, um imóvel aquecido por eletricidade poderá, em alguns casos, melhorar sua classificação no DPE a partir de 1º de janeiro de 2027 sem fazer nenhuma obra. A resposta curta, porém, exige cautela: a mudança não será automática nem universal. O que muda é a regra de cálculo do diagnóstico, não o desempenho físico do imóvel.
A alteração foi formalizada por um arrêté publicado em agosto de 2026. Segundo o governo francês e o portal oficial Service-Public, o fator de conversão da eletricidade no DPE cairá de 1,9 para 1,7. Na prática, isso reduz a quantidade de energia primária atribuída às moradias elétricas no cálculo do selo energético, o que pode melhorar a etiqueta de parte desses imóveis.
O que é o DPE e por que a fórmula importa
O DPE, sigla de Diagnostic de performance énergétique, é um documento obrigatório no mercado imobiliário francês. Ele classifica os imóveis de A a G com base no consumo de energia e nas emissões de gases de efeito estufa. Essa etiqueta pesa na venda, na locação e no planejamento de reformas, porque passou a ter consequências regulatórias mais duras para os imóveis considerados ineficientes.
Hoje, a classificação não depende apenas da conta de luz ou do tipo de aquecimento visto de forma isolada. Ela resulta de uma metodologia padronizada, com coeficientes e hipóteses técnicas. Por isso, quando um desses parâmetros muda, o resultado final também pode mudar, mesmo que o morador continue consumindo exatamente o mesmo volume de energia.
Por que imóveis elétricos podem subir de classe
O ponto central é o chamado fator de conversão da eletricidade. Ele serve para transformar a energia final consumida no imóvel em energia primária, critério usado pelo DPE francês. Com a redução de 1,9 para 1,7, a eletricidade passa a pesar menos nessa conta. Em consequência, algumas moradias aquecidas por eletricidade podem aparecer como menos intensivas em energia primária do que apareciam antes.
Isso ajuda a explicar por que apartamentos e casas hoje no limite entre duas classes podem mudar de faixa em 2027 sem reforma, troca de janelas ou novo isolamento térmico. O efeito tende a ser mais relevante justamente nos casos de fronteira, quando poucos pontos separam o imóvel de uma etiqueta melhor.
O que a mudança não faz
O novo cálculo não promete melhora para todos os imóveis elétricos. O resultado continuará dependendo das características do bem, como área, isolamento, ventilação, água quente, sistema de aquecimento e nível global de consumo estimado. Um imóvel muito ineficiente pode continuar mal classificado mesmo com a revisão do coeficiente.
Também é essencial separar duas coisas que podem se confundir no debate público: uma etiqueta melhor no DPE não significa queda automática na fatura de energia. A mudança corrige a metodologia usada pelo diagnóstico, mas não reduz, por si só, o consumo real da moradia nem substitui uma renovação energética efetiva.
Por que proprietários devem rever o diagnóstico
Para proprietários e locadores na França, o tema tem impacto concreto. Desde 2025, imóveis classificados como G já enfrentam restrições para locação, e o calendário regulatório continuará apertando as regras para classes piores nos próximos anos. Nesse contexto, uma reclassificação pode influenciar o valor locativo do bem, o cronograma de obras e até a decisão de colocar o imóvel no mercado.
O passo prudente, antes de iniciar reformas caras ou relançar uma locação, é verificar a etiqueta energética com atenção e avaliar se o imóvel pode ser afetado pela nova fórmula a partir de janeiro de 2027. O ponto decisivo é não confundir melhoria de método com melhoria material do imóvel: o cálculo pode mudar a nota; a reforma, quando necessária, é o que muda de fato o desempenho da habitação.
